sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O meu aluno

     Depois que li o comentário da Gláucia no post "Mais um ano" fiquei mais animadinho para escrever aqui e fazer esse blog deslanchar.
     Mostrei o blog para meu ex-aluno e ele ficou um tanto quanto emocionado, vindo dele acho que é normal, é um menino bastante sensível.
     Mostrou-se entre suspreso e compreensivo, mas também curioso e fez algumas perguntas que respondi com muito prazer.
    Fiquei pensando que, se as pessoas, ao invés de saírem por ai falando tantas coisas a nosso respeito,  nos perguntassem abertamente sobre aquilo que não vivenciam e não sabem tornariam as coisas um pouco mais fáceis.
    Não tenho como deixar de lembrar de uma colega de faculdade que, numa discussão sobre homossexualidade, afirmava categoricamente que os gays o são porque sofreram abuso e que querem deixar de ser gays. Não sei que base que ela teve para fazer estas afirmações, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa o professor, homem que admiro muito, por tabela a chamou de ignorante.
     Abuso até sofri, mas não sou homossexual por isso e tampouco pretendo jogar na lixeira minha identidade.
     Ela teria simplificado se abertamente perguntasse a respeito, assim como muitas pessoas também simplificariam se nos perguntassem a respeito da nossa convivência com esse ser chamado HIV.
     Beijo para a Gláucia e para todos que tiram um tempinho para ler estas linhas.

Dentista: ai que medo

     Não sei vocês, mas eu tenho um medo de dentista que me pelo. Evito ao máximo e vou procrastinando a visita que os entendidos dizem que tem de ser feitas a cada seis meses. 
     É claro que, nessa de ficar evitando a visitinha ao doutor, acabam aparecendo de vez em quando alguns incômodos. Há um mês estava com uma dor de dente terrível e lá fui eu atrás de um dentista na minha nova cidade-sei que não mencionei, mas moro em uma cidade do interior de Santa Catarina- e encontrei um que pôde me atender imediatamente.
     Acabei voltando para casa sem o "dente do juízo" e admirando aquela beleza de homem, enquanto ele se concentrava na minha boca meus olhos concentravam-se no rosto dele.
     Admirações a parte visita ao dentista é sempre estressante, pois eles enfiam tanta coisa na boca da gente, que tenho medo que eles errem a mão e deixem escapar aqueles negócios e me deixem deformado para todo o sempre. Como se vê nem sempre minha fértil imaginação joga a meu favor.     
     Além da minha imaginação, mil preocupações rondam a minha cabeça e a principal delas é se devo falar ao doutou ou não acerca de minha sorologia. Já tinha me decidido não falar e eis que hoje pela manhã, depois de já ter feito os procedimentos que eram mais urgentes o danado resolveu fazer uma tal de anamnese e ai perguntou se era portador de alguma doença, sem especificar claro, se fazia uso de algum medicamento diariamente.
     A princípio respondi não e não, mas depois de questioná-lo se mais alguém iria ter acesso aqueles dados e ele ter me dito que não lhe disse: doutor, desculpe não ter falado antes mas sou portador de HIV e faço sim uso de medicação diariamente, não comentei antes pois sei de casos de profissionais que deixaram de atender pacientes quando descobriram que eram soropositivos. Gostei de ouvir o médico dizer: sem problemas, fique tranquilo e é bom que você diga para podermos encaminhar as coisas corretamente, ao que lhe falei: o mesmo cuidado que o senhor precisa ter comigo, precisa ter com qualquer outro paciente. O dentista tranquilamente falou: com certeza, até porque num consultório odontológico o maior problema é o hepatite e muitas pessoas se quer sabem que o tem, fique tranquilo mesmo.
     Senti firmeza e confiança no doutor, ele na verdade não demonstrou surpresa e muito menos qualquer preocupação. Se antes o admirava por causa da beleza agora o admiro pelo profissionalismo. Sexta-feira que vem volto lá, ai quero ver. Espero que ele não esteja com uma roupa de guerra para se defender de um perigoso inimigo.
     Ele pode ser lindo e ter me passado confiança, mas que eu vou continuar com medo de ele errar a mão e deformar minha boca e meu rosto, a isso eu vou.

Arthur