quarta-feira, 30 de maio de 2012

Aquela sexta-feira


Aquela sexta-feira

            Era para ser uma sexta-feira como tantas outras, aquela expectativa do final de semana em que poderia descansar, namorar e não me preocupar com as coisas da vida.
            Aquela sexta-feira não me sai da cabeça. Retirei o exame no laboratório e estava a caminho do consultório médico, havia feito um propósito de não abri-lo antes do doutor, mas a agonia já durava dias, a sensação de carregar um piano era horrível.
            No elevador abri o exame e de repente já não carregava mais o piano, o piano desabou em minha cabeça, o resultado era: positivo.
            Mil coisas vieram à cabeça entre a subida do elevador e o consultório do médico: como seria meu namoro dali para frente? Será que eu ficaria magérrimo como comentavam as vizinhas a respeito do filho da dona Maria, que diziam estava com AIDS e já pesava vinte quilos? Será que eu iria durar mais dez anos? Sim acho que meu prazo de validade estava determinado ali, afinal nos jornais e revistas que eu havia lido falavam que um paciente com HIV/AIDS dura aproximadamente dez anos, parecia que ali, naquele pedaço de papel de um laboratório, estava um juiz a ler minha sentença de morte.
Meu namorado depois me disse que também tinha medo de continuar se envolvendo comigo, afinal meu tempo de vida seria pouco dali para frente, isso ele havia lido num desses jornais quando estávamos apenas desconfiados, quando o piano estava apenas sobre meus ombros e não destroçado em cima de minha cabeça.
Tantas dúvidas pairavam sobre a dita doença que eu não conseguia nem dizer o nome, tentei me informar da melhor maneira possível, lendo jornais, revistas, pesquisando na internet, mas chegou um momento em que desisti, pois todo aquele material reservava para mim um futuro sombrio, era tudo aterrador.
Eu poderia escolher continuar dando atenção a tudo aquilo ou a partir de meu diagnóstico dar um novo sentido à vida. Acho que escolhi a segunda opção, talvez um pouco mais difícil, mas com certeza a melhor opção.



 

5 comentários:

  1. Oi Arthur. Hoje foi a minha sexta feira. Tive o resultado da contra prova, que deu positivo.
    Agora eh encarar os desafios que meu novo companheiro vai me impor.

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  2. Oi Fábio

    Desculpa a demora em responde, é que ando muito ocupado, tanto que fazia um tempão que não vinha aqui.
    Passados seis meses você já deve ter percebido que o companheiro não é do jeito que pintam. Com certeza já deve estar aprendendo a conviver com ele. Vamos trocando algumas ideias. Grande abraço.

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  3. Minha sexta feira também chegou :(

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  4. Segue link para a websérie gay, "Positivos", produção independente que fala sobre um grupo de jovens gays que são soropositivos e a relação com a AIDS.

    http://www.youtube.com/watch?v=8mMFtVrsWKc

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  5. Minha sexta feira chega todos os dia,ainsa nao me acostumei com nada,nao aceitei,por isso luto todos os dias contra me mesmo,isso nao é o fim eu sei! Mais me deixa s pespectivas de vida

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